16.11.06

Numa noite em que o restaurante estava fechado...




Estas fotos são para o meu primo Hugo...

12.11.06

Hoje foram três...






Foi um dia em cheio! Hoje pude tirar a barriga de misérias e ver três filmes, dois dos quais no cinema e de graça! Sentir o cheirinho de uma sala de cinema, escura, em silêncio, sem interrupções e puder desfrutar de um bom filme! Valeu a pena!
Às 13h "Mamá cumpre 100 años" e às 17h "El otro lado de la cama"! Resta agradecer à embaixada espanhola e à "España Cooperación Cultural Exterior" pela iniciativa. Hoje (não sei se por ser S. Martinho ou por coincidência) houve "Sesion de Cine Español" no Kino de France, Shottenring 5, 1010 Wien. Cinco projecções e um pequeno buffet à entrada. Simplesmente. Por comemoração de nada assinalado, porque sim, (porque não?) pelo amor à sétima arte..., não sei. Só sei que gostei, e como estava no espírito, depois de jantar lá foi mais um! Desta vez "Martín-Hache". Ficam aqui os cartazes...

5.11.06

Assim foi a 1ª aula de Visualisation Techniques & Technical Drawing...


"Não exagero ao dizer que os seguintes foram os piores anos galácticos que eu já tinha vivido. Continuava à procura, e no espaço adensavam-se os sinais, de todos os mundos quem quer que tivesse possibilidades já não deixava de fazer a sua marca no espaço de qualquer modo, e o nosso mundo também, sempre que me virava achava-o mais cheio, de modo que o mundo e o espaço pareciam um o espelho do outro, um e outro repletos de hierógliferos e ideogramas, e cada um deles poderia ser um sinal ou não: uma incrustação de calcário no basalto, uma crista erguida pelo vento nas areias amontoadas do deserto, (...) (pouco a pouco o viver entre sinais tinha levado a ver como sinais as inumeras coisas que dantes existiam sem assinalar mais nada senão a sua própria presença, transformando-as no sinal de si próprias e somadas à série de sinais feitos propositadamente por quem queria fazer um sinal, (...) a quantrocentésima-vigésima-sétima ranhura - um tanto de esguelha - da lápide do frontão de um mausoléu, uma sequência de estrias num vídeo durante uma tempestade magnética (a série de sinais de sinais, de sinais repetidos inúmeras vezes sempre iguais e sempre de qualquer modo diferentes porque ao sinal feito de propósito vinha juntar-se o sinal ali aparecido por acaso), a perna mal impressa da letra R que num exemplar de jornal calhara sobre uma escória filamentosa do papel, (...) uma travagem no asfalto, (...).

No universo já não havia um incluente e um incluído, mas apenas uma espessura geral de sinais sobrepostos e aglutinados que ocupava todo o volume do espaço, (...) o universo estava rabiscado por todos os lados, ao longo de todas as dimensões. Já não havia maneira de fixar um ponto de referência: a Galáxia continuava a dar voltas mas eu já não conseguia contá-las, qualquer ponto poderia ser o de partida, qualquer sinal em cima dos outros poderia ser o meu, mas descobrí-lo não serviria de nada, de tal modo era claro que independentemente dos sinais o espaço não existia e se calhar nunca tinha existido."

Italo Calvino, COSMICÓMICAS